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Deputado age para impedir mudança na receita catarinense após canetada do governo federal

A Linguiça Blumenau está ameaçada por uma mudança imposta a partir de determinação do Ministério da Agricultura, que descaracteriza a receita original e gera insegurança aos produtores

Uma determinação do governo federal está colocando em risco a produção da tradicional Linguiça Blumenau, patrimônio gastronômico e cultural de Santa Catarina. A mudança, estabelecida a partir de orientações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ameaça descaracterizar a receita original do produto e vem gerando insegurança jurídica aos produtores catarinenses. 


Diante da repercussão e da preocupação no setor, o deputado Napoleão Bernardes (PSD) apresentou uma Proposta de Sustação de Ato (PSA) na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) para derrubar a Portaria nº 14/2026, editada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária para atender às novas exigências técnicas da União. 


A medida reduz de 42% para 30% o percentual máximo de gordura permitido na composição da Linguiça Blumenau, provocando forte reação entre produtores e lideranças ligadas à preservação das tradições catarinenses. Para o parlamentar, a mudança desfigura um produto histórico, ameaça um patrimônio gastronômico oficialmente reconhecido e coloca em risco a atividade econômica de dezenas de empresas familiares. 


“A Linguiça Blumenau não é apenas um alimento. Ela representa a história, a cultura, a imigração e a identidade do nosso povo. Não faz sentido uma decisão burocrática tomada em Brasília desfigurar uma receita tradicional construída há gerações e reconhecida oficialmente pelo próprio poder público”, argumenta Napoleão. 


Conflito normativo

Segundo o deputado, o reconhecimento da Indicação Geográfica (IG) da Linguiça Blumenau, homologado em 2024 pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão vinculado à própria União, consolidou justamente as características históricas e físico-químicas do produto, incluindo sua composição original. 


Para Bernardes, a alteração promovida a partir da orientação federal cria um grave conflito normativo. Isso porque a Lei Federal nº 9.279/1996, que regula a propriedade industrial e as indicações geográficas no Brasil, prevê sanções para produtos comercializados em desconformidade com as características oficialmente reconhecidas. 


“Os produtores podem ficar no meio de um impasse absurdo: se seguem essa orientação, descaracterizam um produto protegido por Indicação Geográfica; se mantêm a receita original, ficam sujeitos a questionamentos sanitários e regulatórios. É uma insegurança jurídica completamente inaceitável”, sustenta Napoleão, autor da lei que tornou a Linguiça Blumenau patrimônio cultural de Santa Catarina. 


A expectativa agora é que a proposta de sustação avance na Alesc e abra um debate mais amplo sobre a necessidade de proteção das tradições gastronômicas catarinenses frente a mudanças regulatórias que possam comprometer a autenticidade de produtos de forte valor histórico e cultural.


Foto: Gustavo Willamil/Agência Alesc

gabinete@napoleãobernardes.com.br

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