Uma Santa Catarina invisível para muitos

Nas minhas andanças por Santa Catarina pude observar muitos municípios que estão com sua economia estagnada e hoje têm população menor do que 10 ou 20 anos atrás. Preocupado com o tema, procurei análises a respeito desse problema e encontrei um programa, criado na época do Governador Raimundo Colombo, por sua Secretaria de Planejamento, que apontava esse fenômeno em mais de 80 municípios de diversas regiões do estado.

O programa, que infelizmente foi descontinuado (essa prática nefasta de governos que não podem continuar programas criados pelos anteriores), começou a articular uma ampla parceria com organizações paraestatais (como o Sistema S, por exemplo) e entidades representativas de classe. Lamentavelmente, contudo, foi interrompido com o fim do governo.

A questão central é que as diferenças entre regiões ricas e regiões mais frágeis estão ficando, a cada ano, muito maiores. As consequências são amplamente conhecidas: migrações das populações jovens das regiões frágeis para as mais ricas, inchaço dos polos regionais (as cidades de maior porte), aumento das demandas por serviços sociais nesses polos, e a litoralização do desenvolvimento. Isso é uma ameaça ao modelo de desenvolvimento catarinense, que fez o estado deter os melhores índices de desenvolvimento socioeconômico do país.

Solucionar esse problema não é uma questão de um governo. É algo que precisa de políticas públicas e parcerias entre o público e entidades da sociedade por um período de 10 a 15 anos, envolvendo vários governos estaduais e municipais. Caso contrário, estaremos reproduzindo os erros cometidos em grande parte do Brasil. É grave e preocupante. A ação para a reversão deve ser urgente.

Afinal, esta Santa Catarina invisível para muitos, envolve muita gente de carne e osso, imbuída de sonhos e esperança. E num estado como o nosso, ninguém pode ficar para trás!