Ainda bem que o Brasil tem o SUS

Antes do início da pandemia do coronavírus, a maioria das pessoas fazia críticas duras sobre o funcionamento do Sistema Único de Saúde. Um aspecto inusitado é que em muitos casos as abordagens negativas em termos de percepção da imagem do SUS provinha daqueles que nem sequer utilizam a saúde pública.

No imaginário coletivo, muitas vezes a imagem do SUS era retratada por imensas filas de espera por cirurgias eletivas, Unidades Básicas de Saúde sem profissionais suficientes, equipamentos sem funcionamento, precariedade em instalações hospitalares, assim por diante. Podemos fazer uma página inteira de situações que eram relatadas por pessoas e pela mídia.

Aliás, como se disse, um dado curioso é que muitas pessoas queixosas jamais utilizaram o SUS efetivamente – queixavam-se por ouvir dizer.

A pandemia nos fez ver outro lado da situação. A existência do SUS, em particular num país tão desigual como o nosso, onde a grande maioria não tem plano de saúde ou condições de pagar atendimentos particulares, permitiu que a situação não ficasse ainda pior do que está sendo. A despeito de todos os problemas mencionados, o SUS mostrou seu alcance e sua importância.

Provavelmente o SUS (ao lado da previdência social) seja o maior instrumento de proteção social criado pela sociedade brasileira em sua Constituição Federal e, inteligentemente, envolvendo os três níveis de gestão (federal, estadual e municipal): todos corresponsáveis por seu funcionamento.

Daqui para frente será preciso olhar com mais carinho para esse sistema, atuando de forma incisiva. Por exemplo: dotá-lo de melhor gestão e estrutura capaz de atender melhor o público, avançar no uso da tecnologia (incluindo a telemedicina em algumas situações) e integrar cada vez mais o sistema que vai dos “postos de saúde” até os hospitais de alta complexidade. Fortalecer o atendimento básico e preventivo é o caminho o que reduzirá os casos graves nos hospitais. E num estado como o nosso, encurtar as distâncias: trazer o tratamento nas especialidades mais perto de onde as pessoas vivem. A ideia é promover saúde e não simplesmente tratar a doença.

A pandemia nos ensinou muito. Ainda bem que temos o SUS, mas precisamos avançar muito para fazê-lo uma prioridade nacional. A prioridade das pessoas sempre é e será a saúde.