A vontade de voltar à normalidade

De nossas TVs e pelas redes sociais estamos vendo muitas partes do mundo voltarem, ainda que com algum receio, à vida que tínhamos antes. Em alguns locais, como os EUA, a máscara não é mais obrigatória em locais abertos; em Israel, os eventos, festas e celebrações religiosas também estão permitidos; na Europa, vemos estádios com boa parte das arquibancadas ocupada.

O Brasil passa por este processo de forma lenta, à medida que a vacinação avança. No último domingo, o grande símbolo desta volta à normalidade foi a abertura parcial da Avenida Paulista somente para pedestres, depois de um ano e quatro meses. Muita gente estava presente. A Prefeitura de São Paulo considerou a medida possível porque a cidade tem mais de 70% da população adulta vacinada contra a Covid, com pelo menos uma dose. Assim acontece em outros locais do país. A vacinação cresce e começamos a nos sentir mais seguros, ainda que o susto de novas variantes do coronavírus fique como um fantasma pairando sobre nós.

Mas a vontade de retorno à normalidade e a esperança de uma vida como tínhamos tem superado tudo. Quem diria? O prazer de cumprimentar um amigo, uma amiga, com um abraço, no lugar de um soquinho. Sentar num bar ou restaurante, convidar os amigos ou parentes para a sua casa. Assistir a um jogo de futebol no estádio. Ou mesmo pela TV, mas vendo aquela gente toda gritando nas arquibancadas.

Perdemos coisas simples da vida. E antes não tínhamos noção de quanto elas valem. Somos seres sociais, gostamos, na sua maioria, de vivermos em grupo. E nós, brasileiros, mais ainda. Quando cumprimentamos alguém não nos basta curvar como os japoneses. Contato físico faz parte de nossa cultura, nos traz alegria e um sentimento de comunidade. Assim manifestamos nosso afeto.

Vamos torcer para que esse retorno seja seguro, sustentável e que não haja retrocesso. Enquanto isso, vamos logo nos vacinar para acelerarmos o retorno da vida plena. Eu já tomei minha primeira dose, mas não vejo a hora de tomar a segunda.